Tratamento

O câncer de mama é uma doença bastante heterogênea e apresenta vários subtipos que podem ter comportamentos e prognósticos diferentes. Assim, seu tratamento tende a ser mais individualizado, de acordo com as características de cada doença, a saber, o tipo histológico, grau, tamanho da lesão, localização na mama, sensibilidade ou não à manipulação hormonal, comprometimento dos gânglios axilares, etc.

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O tratamento consiste basicamente em quatro modalidades:

A) Cirurgia;

B) Quimioterapia;

C) Radioterapia;

D) Hormonioterapia;

E) Terapia – alvo;

Na maioria das vezes o tratamento é iniciado com a cirurgia  que visa a retirada ampla da lesão e avaliar o comprometimento dos gânglios axilares pela doença. Após a cirurgia são estabelecidas as indicações de  quimioterapia, radioterapia, e/ou hormonioterapia de acordo com as características patológicas e imunoistoquímicas de cada tumor, e o tipo de cirurgia que foi realizada. Em algumas situações pode-se optar por iniciar o tratamento com quimioterapia, hormonioterapia e mais raramente a radioterapia, visando a diminuição do volume tumoral e a obtenção de melhores condições para cirurgia, seja para se preservar a mama ou para realização da mastectomia em melhores condições. A realização da quimioterapia antes da cirurgia tem ainda a vantagem de poder observar a resposta da quimioterapia in vivo, e nos traz excelentes perspectivas especialmente quando a resposta patológica é completa (isto é, quando o tumor desaparece completamente com a quimioterapia).

O câncer de mama pode apresentar recorrência tanto no local da cirurgia (recidiva local), nas vizinhanças do local da cirurgia (recidiva regional) como em outros órgãos (metástase). Por isso o tratamento visa tanto tratar a doença atual como diminuir os riscos de recidiva da doença.

Tratamento Cirúrgico: _________________________________________________________

A cirurgia consiste na remoção do tumor e na avaliação dos gânglios (linfonodos) da axila.  Os linfonodos axilares são geralmente o primeiro local para onde a doença se dirige ao sair da mama e devem portanto, ser avaliados durante a cirurgia.

O tratamento cirúrgico pode ser conservadora (consiste na retirada apenas do tumor com uma margem de tecido normal ao redor) ou radical (também chamado mastectomia total que consiste na retirada de toda a glândula mamária, acompanhado ou não dos gânglios axilares). Os resultados do tratamento com a cirurgia conservadora seguida de radioterapia são iguais aos da mastectomia. Portanto a opção de preservar ou não a mama, depende de vários fatores sendo o principal a proporção entre o tamanho do tumor e o volume da mama.

Com relação à axila, e como já mencionado anteriormente,  utilizamos a pesquisa do linfonodo sentinela para saber se há acometimento dos gânglios axilares pelo tumor. Se o linfonodo sentinela estiver acometido ou quando se tem o conhecimento prévio de seu comprometimento ou de algum outro linfonodo da axila, é realizada a retirada de todos os linfonodos axilares (esvaziamento axilar).

Os principais tipos de cirurgias utilizados no tratamento do câncer de mama são:

a)   Mastectomia simples: consiste na retirada de toda a glândula mamária e da pele que a reveste, incluindo a aréola e o mamilo.

b)  Mastectomia skin-sparing (ou mastectomia poupadora de pele): consiste na retirada de toda a glândula mamária, incluindo a aréola e o mamilo, mas preservando a maior parte da pele.

c)   Mastectomia nipple-sparing (ou mastectomia com preservação do complexo aréola-mamilo): consiste na retirada de toda a glândula mamária, com preservação de toda a pele que a reveste, e preservação da aréola e do mamilo.

d)  Mastectomia radical modificada: consiste na retirada de toda a glândula mamária com grande parte da pele que a reveste, associada à ressecção dos gânglios axilares.

Esse tipo de cirurgia é geralmente realizada em doenças de grande volume, e com comprometimento dos linfonodos axilares.

e)   Cirurgia conservadora (setorectomia): consiste na retirada do tumor, com uma margem de tecido normal (margem de segurança) ao redor. Nesta cirurgia a mama é preservada sendo necessário, na maioria das vezes, complementar o tratamento com a radioterapia.

f)   Biópsia do linfonodo sentinela:

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Linfonodo sentinela é o primeiro gânglio da cadeia axilar a receber a drenagem do tumor. Por isso se este linfonodo não estiver comprometido pelas células tumorais, não é necessária a avaliação dos demais linfonodos axilares, e estes podem então ser preservados.

Para a identificação do(s) linfonodo(s) sentinela(s) normalmente é utilizada a combinação de duas técnicas:

a)   Azul patente;

b)  Marcação com radiofármaco:

Após a injeção destes dois materiais, é realizada uma pequena incisão na axila, para identificar e retirar o (s) gânglio(s) que se encontram corados. O(s) linfonodo(s) são examinados imediatamente pelo patologista (exame de congelação), onde se tenta identificar a presença de tumor no gânglio. Se forem encontradas células cancerosas no linfonodo, é feita a retirada de todos os gânglios da axila.