• Mastectomia redutora de risco

Cirurgia redutora de risco?

Para quem e Quando indicar o procedimento?

Quais são os benefícios e riscos?

Qual é o impacto na qualidade de vidada paciente?

Questões como essas afloram dúvidas não somente à população em geral, mas também aos médicos mastologistas, oncologistas e geneticistas, sendo fundamental uma avaliação criteriosa e multidisciplinar.

A cirurgia que consiste na remoção da glândula mamária normal, com a finalidade de reduzir a incidência e a mortalidade por câncer de mama em mulheres com alto risco  para desenvolver a doença ao longo da vida, especialmente as mulheres que apresentam mutação dos genes BRCA1/BRCA 2.

A retirada “preventiva” das mamas com reconstrução mamária imediata é um procedimento cirúrgico conhecido e realizado há mais de 20 anos. Porém gera sempre debate e muita controvérsia por ser uma cirurgia agressiva, e que mesmo assim não elimina completamente o risco de apresentar a doença. Mesmo nas mastectomias profiláticas muito bem executadas, pequenas quantidades de tecido mamário tem que ser deixadas abaixo da pele, e da aréola e mamilo. A cirurgia irá portanto minimizar, mas não eliminar totalmente o risco de desenvolver câncer de mama.

As evidências apontam haver uma redução de 90% na incidência de carcinoma de mama em mulheres com mutações genéticas que se submeteram ao procedimento. Todavia, os estudos que avaliaram este tipo de cirurgia possuem grandes limitações metodológicas.

Os benefícios devem ser pesados diante do impacto psicológico da cirurgia para a mulher, da perda de sensibilidade,  e do considerável risco de complicações. A reconstrução mamária apesar de haver evoluído muito nos últimos anos, nem sempre está de acordo com as expectativas de cada paciente, que muitas vezes são muito elevadas em relação a este procedimento, chegando até a confundi-lo com um procedimento de cirurgia estética.

Muitas pacientes se consideram insatisfeitas  com o resultado estético, assim como referem sérios problemas psicológicos de relacionamento sexual após o procedimento, indicando uma considerável perda na qualidade de vida. É importante lembrar que há uma perda irreversível da possibilidade de amamentação e da sensibilidade nos mamilos. Estudos referem como consequência da cirurgia um aumento da cancerofobia, piora da feminilidade, da autoestima e da sexualidade em cerca de 20-25% das pacientes.

A adenectomia redutora de risco é uma das opções de prevenção, porém não é a única. Existem outras formas de redução do risco de câncer de mama como a quimioprofilaxia com tamoxifeno mais efetivo para mutações de BRCA2. Além disso, o rastreamento com mamografia e ressonância magnética em pacientes de alto risco pode detectar o câncer em fase inicial onde as chances de cura são em torno de 95% com cirurgia conservadora.

A decisão do procedimento deve ser cuidadosamente discutida com a paciente, seu cônjuge e familiares, e por uma equipe multidisciplinar composta por mastologista, equipe de cirurgia reconstrutora, geneticista e psicólogo.

Postado em Artigos e Notícias.