Reconstrução Parcial

Indicação: Esta técnica pode ser empregada apenas para as pacientes que tem indicação para retirada parcial da mama (quadrantectomia ou setorectomia).

O que é: Trata-se de um conceito recente, que surgiu em grandes centros europeus de tratamento do câncer e que vem sendo cada vez mais utilizado nas cirurgias que preservam a mama. A reconstrução parcial é a aplicação de técnicas de cirurgia plástica, tais como as cirurgias de mamoplastia redutora e de mastopexia, à cirurgia oncológica da mama. Ou seja, realizar a setorectomia ou a quadrantectomia (técnicas oncológicas clássicas de retirada parcial da mama) através de técnicas de cirurgia plástica.

Como é feita: Envolve a reconstrução imediata do defeito deixado pela ressecção oncológica na mama doente com técnicas de cirurgia plástica e o remodelamento da mama contra-lateral (mama não-doente) com o objetivo de atingir uma melhor simetria. As duas mamas são operadas simultaneamente por duas equipes, de maneira que o tempo operatório não aumenta.

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Quais as vantagens: Este procedimento traz algumas vantagens do ponto de vista oncológico e estético. Permite ressecções que podem ser mais amplas e seguras em termos de margens cirúrgicas, com menor risco de um prejuízo estético do que em uma setorectomia ou quadrantectomia clássica.

Quais os riscos: Os riscos são aqueles existentes em uma cirurgia plástica da mama. Podem ocorrer problemas com cicatrizes, que aparecem geralmente em pacientes com tendência a cicatriz quelóide (grossa e elevada) ou hipertrófica (grossa) e que podem ser corrigidos em um segundo tempo, após o término do tratamento oncológico. Pode existir uma diminuição temporária na sensi- bilidade de aréola e mamilo devido à manipulação cirúrgica, mas que se recupera em algumas semanas. Raramente (em menos de 5% dos casos), esta diminuição ou ausência de sensibilidade é definitiva. Mais raramente ainda (menos de 2%) ocorre necrose ou perda da aréola e mamilo (total ou parcial). Os riscos deste tipo de complicação são maiores em pacientes com diabetes, fumantes, mamas previamente irradiadas ou em grandes reduções da mama (acima de 500g/mama). Podem ficar diferenças no tamanho e na forma das mamas, que na maioria das vezes são discretas. Diferenças maiores podem ser corrigidas em uma segunda cirurgia.

Como é o pós-operatório: O pós-operatório quase sempre é tranqüilo e indolor, mas envolve alguns cuidados especiais. Os drenos geralmente são retirados pelo seu médico em 48h (exceto nos casos onde o esvaziamento axilar foi realizado). É necessário o uso de um soutien modelador noite e dia durante o primeiro mês. Devem-se evitar movimentos amplos e bruscos dos braços e tam- bém não levantar peso. A movimentação normal para a alimentação e para a higiene pessoal é permitida e não causa prejuízos ao resultado final. As feridas cirúrgicas não devem ser molhadas nas primeiras 48h. Após este período, a paciente fica apenas com as fitas adesivas no local, que tem como objetivo reduzir a tensão e melhorar o aspecto final da cicatriz, ou com a cola que deve cair espontaneamente em cerca de 10 dias. Ela pode ser molhada durante o banho, sem problemas. É necessário apenas mantê-la seca. As mamas ficam inchadas durante 3 semanas. O resultado estético final ocorre após 3 meses da cirurgia ou 3-6 meses após o término da radioterapia.