Reconstrução com tecido autólogo

Esta técnica pode ser empregada para as pacientes que tem indicação de retirada total da mama (mastectomia) ou parcial da mama (setorectomia ou quadrantectomia), quanto para aquelas pacientes que já fizeram uma cirurgia mamária prévia para tratamento do câncer sem reconstrução. É realizada com o emprego de um tecido próprio da paciente que vem transferido de uma região distante para a mama.

Como é feita: Envolve a reconstrução com transferência de uma ilha de pele que deve ser nutrida por um músculo do seu próprio organismo. Existem 2 técnicas que são as mais empregadas: aquela com o músculo do abdome, que é conhecida como TRAM e a do músculo grande dorsal. Existem também técnicas que empregam microcirurgia, onde podem ser evitadas algumas seqüelas musculares, mas exigem um tempo operatório mais prolongado e equipe tecnicamente treinada.

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Fig 6: Reconstrução com tecido próprio da paciente: músculo grande dorsal das costas

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Fig 7: Reconstrução com tecido próprio da paciente: TRAM no abdome incluindo a tela de segurança para a parede abdominal

Quais as vantagens: A reconstrução com o seu próprio tecido não possui o risco de rejeição, como ocorre com os expansores e próteses. No caso da técnica que usa o músculo do abdome, é realizado uma abdominoplastia, o que para algumas pacientes é visto como algo importante na decisão final. Os seus resultados são duradouros, pois o retalho se adapta às condições da paciente. Caso ela engorde ou emagreça, este efeito também é observado no retalho, o que não acontece com os implantes, onde o resultado não tem esta flexibilidade.

Quais os riscos: Os riscos estão relacionados à rotação do músculo e à vascularização do retalho. No caso da cirurgia abdominal existe risco de hérnia devido ao defeito resultante da falta do músculo, que pode ocorrer em cerca de 5% das pacientes. A técnica empregando o músculo grande dorsal não tem este risco, mas precisa geralmente ser associada a uma prótese, pois a área doadora das costas não tem a mesma quantidade de tecido do que o abdome. As cicatrizes decorrentes de cirurgias envolvendo retalhos são maiores e podem ficar mais visíveis do que nas técnicas anteriores. Aparecem geralmente em pacientes com tendência a cicatriz quelóide (grossa e elevada) ou hipertrófica (grossa) e podem ser corrigidas em um segundo tempo, após o término do tratamento oncológico. Também existe risco do ponto de vista da nutrição do retalho (entre 5 e 20%), que pode exigir curativos prolongados e cuidados especiais. Estes riscos são maiores em pacientes tabagistas, irradiadas ou diabéticas.

Como é o pós-operatório: O pós-operatório exige mais cuidados e um tempo maior de internamento. Mas com as técnicas atuais de anestesia ele é, na maioria das vezes, indolor. Um pouco de des- conforto pode existir no início, com a posição nos primeiros dias. Existem alguns cuidados especiais que devem ser tomados com a área doadora. Os drenos permanecem até que a quantidade de dre- nagem seja menor do que 50 cc. É necessário o uso de uma faixa abdominal durante 3 meses e de sutiã modelador noite e dia durante o primeiro mês. Devem-se evitar movimentos amplos e bruscos dos braços e também não levantar peso. A movimentação normal para alimentação e higiene pessoal é permitida e não causa prejuízo ao resultado final. As feridas cirúrgicas não devem ser molhadas nas primeiras 48h. Após este período, a paciente fica apenas com as fitas adesivas no local, que tem como objetivo reduzir a tensão e melhorar o aspecto final da cicatriz, ou com a cola cirúrgica. Elas podem ser molhadas durante o banho, sem problemas. É necessário apenas mantê-las secas. Recomenda-se não molhar a saída dos drenos até que os mesmos sejam retirados